terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Os Introcáveis II" - por Armando Ribeiro



            O Natal já passou, mas continuamos todos a receber presentes. Depois do maravilhoso vindo da Edilene, agora surge Armando Ribeiro batendo a bola no peito e polvilhando mais fermento em Os Introcáveis II:
            CRÓNICA SOBRE A VIAGEM ÀS NASCENTES DA LÍNGUA PORTUGUESA.
            Deixei, na qualidade de emigrante, o meu país em época difícil, em plena juventude, quando contava 24 anos de idade. Cheio de sonhos e um pouco de aventura, como qualquer outro na minha situação e na esperança de um dia regressar com a vida melhorada economicamente.                                                                                                                    Os nossos sonhos nem sempre se concretizam e pelas mais variadas circunstâncias, fui adiando o regresso, constituí família, casando e criando quatro filhos, hoje formados e profissionalizados, todos vivendo longe do meu país de origem.                                                                                                                                                          A partir de então, além do meu país, vivi em mais cinco, dos quais o Brasil, onde me fixei desde 26 de Janeiro de 1977 até à presente data.                                                                                                                                     Pelo princípio de querer conhecer as terras que me acolheram e muitas vezes por motivos profissionais, percorri todos eles de lés a lês, ao contrário do que faz a maioria dos seus cidadãos naturais, por desinteresse uns e por dificuldades econômicas outros.                                                                                                                     Todavia, é bem verdade, que muitíssimos daqueles que não têm essas dificuldades, preferem viajar para os EUA, muitas vezes para passarem o tempo fazendo comprinhas ou irem ao DISNEY WORLD entreter os seus filhotes, em vez de percorrerem o seu país para mostrarem-lhes e ensinarem-lhes a conhecerem as riquezas econômicas, turísticas e culturais dele, que são incomensuráveis, e também para que sejam desenvolvidos, na infância e adolescência desses filhos, a valorização, o amor e o patriotismo pela sua Pátria.                                 É importante que conheçam também a origem dos seus ancestrais, com a sua cultura e os feitos históricos da sua época, para que valorizem com justiça, as suas verdadeiras raízes, se possam orgulhar delas e combatam os seus detratores.                                                                                                                                             Apesar disso e da vontade de regressarem para e donde vieram, para os emigrantes, agora transformados em definitivos imigrantes, existem coisas que os prendem para sempre, como a família criada além fronteiras, os bens e até o receio de voltarem para iniciarem uma nova vida e, mui especialmente, quando já são passados cinqüenta e quatros de ausência da terra que os viu nascer, como é o meu caso, independentemente da saudade que permanece e da sua, quase sempre, grande intensidade. Assim foi formada a população do Brasil.                            Os brasileiros têm uma origem como qualquer outro povo e os que são de raça branca ou mista não deveriam esquecer, que na sua maioria esmagadora têm as suas raízes ou parte delas em solo lusitano.                                                                                                                         Em todos estes países pude ver e extasiar-me com maravilhas naturais, outras produzidas pelo homem, também lidei com as suas gentes, conversando, ouvindo e falando e, por isso, onde quer que eu me encontre neste mundo, sempre terei gratas lembranças para recordar de todos eles, além dos muitos amigos queridos deixados para trás, bem como algumas realizações das quais posso orgulhar-me por ser um homem inquieto e preocupado em criar sempre algo novo que possa ser útil à sociedade, como um todo.                                          Mas as minhas raízes são portuguesas e sempre que posso ou acho oportuno, para lá vou eu rever a minha família e a minha terra ou a “santa terrinha”, como dizem carinhosamente os brasileiros.
 Falar de Portugal é cansativo, porque por mais que se diga é difícil ou impossível dizer-se tudo.                                                                                          E as casas de fado ao som das características guitarras, trinando no acompanhamento de canções alusivas ao amor, ao desamor, à beleza e às tradições? Inarrável. É preciso estar lá ouvir e sentir para poder aquilatar-se do ambiente especial que de nós se apodera ou nos domina. É muito especial.                                                                                                                                            Esta viagem, por tudo que aqui narro, foi muitíssimo especial na minha vida, jamais a esquecerei.                                                                                                                                    Dito isto, a VIAGEM ÀS NASCENTES DA LÍNGUA PORTUGUESA, organizada e já realizada no mês de Junho passado, com partida de Brasília no dia 6 com retorno no dia 17 e pela quarta vez consecutiva, pelo Editor da THESAURUS EDITORA, Senhor VICTOR ALEGRIA, laureado como Comendador pela Embaixada de Portugal, em virtude dos serviços prestados à Comunidade Cultural Luso-Brasileira, é mais uma daquelas que entrará para os anais da minha vida, não só pelos objetivos relacionados com o estreitamento cultural dos dois países, mas também por contribuir para um melhor conhecimento das reais e riquíssimas raízes portuguesas que os brasileiros herdaram e das quais nem sempre se orgulham por desconhecimento histórico e do próprio país de onde partiram os seus ancestrais.                                                                                                               Quando acima me referi à viagem a Portugal que mais me marcou , lembrava-me dos comoventes e espontâneos discursos ou declarações , alguns pronunciados com choro e lágrimas dos 21 brasileiros que participaram desta viagem tão rica em todos os aspectos em visitas panorâmicas, monumentos, castelos, fortalezas, Palácios, igrejas, catedrais, arqueologia, parques, Biblioteca Nacional, Academia do Bacalhau, Casa da América Latina, Unicepe, e, na Galiza, uma das nascentes da nossa língua portuguesa, Santiago da Compostela e Rianjo.                                                                                                                                                                                     Em Lisboa e Sintra com o seu Mosteiro dos Jerónimos, Museu dos Coches, Torre de Belém e                                                                     o Palácio da Pena, em Sintra, rodeado de bosques e um panorama a perder de vista? 
            Mosteiro da Batalha, uma jóia arquitetônica, construído para assinalar a grande vitória na batalha de Aljubarrota contra os castelhanos que se atreveram a invadir Portugal para tomarem-no para si.                                                                                                                                                 Arouca, além de toda a sua beleza, as Pedras Parideiras, fenômeno que ocorre somente em Portugal e Ucrânia. O seu Mosteiro, as suas relíquias e o seu centenário órgão, no qual foi tocada música maravilhosa somente para nós, sentados em cadeiras de madeira, também centenárias . No final um jantar dentro do próprio Mosteiro foi servido a todos os convivas.                                                                                                                                      De tão belos estas visitas e eventos, a sensação que eu tive e compartilhada por todos nós, é que estávamos vivendo num passado extremamente longínquo e quase irreal.                                                                                         Descrever tudo quanto foi visitado e visto daria para escrever um livro, mas em respeito a quem me lê e também por falta de espaço, terei de me limitar apenas a parte de tudo que nos foi permitido ver e sentir.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        Não se vê lixo ou um simples papel no chão. Higiene absoluta.                                                                                  Quase me esquecia da centenária LIVRARIA LELLO, de arquitetura e decoração mui especial e a mais antiga da Europa.                                                                                                                                                             Para que continuar? O meu país é lindo, o povo amável e educado, e as estradas através do país são verdadeiros tapetes que se estendem para todos os lados. Suaves, macias, bem sinalizadas e muito largas. Uma verdadeira maravilha.                                                                                                                                                                       O interessante e que me deixa muito confortável é que eu apenas estou repetindo o que ouvi da boca dos 21 brasileiros que integravam o grupo e constatei com os meus próprios olhos. O nosso grupo era de escritores que lá tiveram a oportunidade de darem a conhecer as suas obras com os livros que levaram, autografando-os e, eu, dos dois portugueses que daqui partiram, tive a oportunidade de dar a conhecer o grandioso empreendimento do lançamento, previsto para 2012, da revista cultural ARES E MARES para os oito países da COMUNIDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA (CPLP) , tal como esperamos, para a união definitiva de ANGOLA, BRASIL. CABO VERDE, GUINÉ BISSAU, MOÇAMBIQUE, PORTUGAL, SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE e TIMOR LESTE.                                                                                                                                   Estes países juntos representam 250 milhões de falantes da língua Portuguesa, a terceira mais internacionalizada do mundo e uma área territorial superior à do Continente Europeu, dividido por mais de 40 línguas, enquanto a nossa Comunidade fala apenas uma. É uma maravilha, razão para sermos mais unidos em todos os campos, para nos apresentarmos ao mundo como uma grande força emergente e forte pelas imensas riquezas que devemos aproveitar e desenvolver em benefício dos nossos povos.                                                                            Espero, portanto, pela continuação desta viagem às nascentes da língua portuguesa, levando cada vez mais pessoas, na qual desejo colaborar, tal como de colaboração os diretores da revista ARES E MARES, eu, Armando Cristóvão Oliveira Ribeiro e a brasileira, com raízes portuguesas, Roseli Ferraz de Arruda, desejamos, como impulso à realização deste grande empreendimento de alcance multinacional.                                                                                         Parabéns a todos os participantes, grandes membros da cultura brasileira e lusófona, simultaneamente, e um grande especial abraço e um muito obrigado, em nome pessoal e como diretor da ARES E MARES, para o Comendador Victor Alegria, proprietário da THESAURUS EDITORA e o grande obreiro desta tão significativa e grandiosa iniciativa, pela sua quarta vez, VIAGEM ÀS NASCENTES DA LÍNGUA PORTUGUESA.                                                                  São José do Rio Preto, 6 de Junho de 2011 

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