domingo, 3 de abril de 2011

XVIII

Quando vejo que mesmo em fins de semana, ainda há uma grande quantidade de carros daqui pra lá e de lá pra cá, lastimo-os, pois não sabendo parar em casa, como pretendem ler livros e blogs? Saem, são assaltados, seqüestrados, levam batidas e o pior, como li no jornal de hoje, acidentados, tendo que amputar uma perna! Claro que não devemos nos furtar ao contacto humano, a um bom filme, às viagens etc., mas há um limite. Excetuando-se os que saem por ofício do cargo, os que saem para se encontrar com o amor, as que vão se embelezar para ele, comprar um livro, os que vão estudar na casa de um amigo... sair por sair, só para ser vista, é demonstração de infelicidade, a não ser que sua felicidade consista justamente em badalar e ainda tenha dentro de si a adolescente que se desespera com a falta de programa para o final de semana. Javier Marías que quando bebê fora vizinho do Nabokov, e que deve ter, por “osmose”, se imbuído da competência russa, ‘estranha a urgência do jovem que se impacienta e tem pressa e medo de não viver o suficiente; de não desfrutar de experiências variadas e ricas, e acaba acelerando os acontecimentos e somando cicatrizes.’ Como se não houvesse tantos livros a serem lidos! E eu, que acabei de sair, não para sair por sair, mas para me exercitar, levei um tombo. Não havendo ninguém por perto, me senti como um dos Capitães da Areia: completamente só no mundo. Mas, logo pensei nos japoneses e segui em frente. Além da curva, uma andarilha me desejou um bom dia. Retribuí o sorriso com vontade de chorar. Sem suspeitar que mais tarde essa vontade seria bem maior.
Com quatro dias de antecedência, fui comprar ingresso para assistir “Carmen”. Era o “programa” do dia de hoje e se tristeza matasse, cairia fulminada em frente à bilheteria, ao ouvir que a sessão se esgotara... Para não me debulhar, só brincando: Não quero muito, só meia entrada! E voltei a pensar nos japoneses, em especial no olhar da que saiu hoje na primeira página do jornal, olhar que deveria ser mais retratado do que o da Mona Lisa.
Lili, vulgo Sussu, está poeticamente certa, ao dizer o quanto é bom termos onde alojar nossa vida. E agora é que Mena Filomena, querendo ser também personagem deste e-book e com ciúmes da Psiu, vai chiar com o aparecimento da Sussu.
 - E eu, quando é que entro, perguntara Mena Filomena.
- Darling, você acabou de entrar...

2 comentários:

  1. Angela,

    Lamento seu tombo. Às vezes estamos supersensíveis mesmo, e o jeito é engolir o choro que só nós entendemos.
    Vá ao nosso Sarau amanhã, é sempre um espetáculo de muita beleza.
    Bom domingo!
    Luci

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  2. Obrigada pelo convite, mas lá é difícil estacionar. Por causa de um acidente de carro que tive, o Marido resolveu comprar uma "limousine"...

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