terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Quod erat demonstrandum - Ângela Delgado

    Apenas inaugurado o consultório, ela se apossou do divã e nele se instalou qual posseira (?), provando sem dúvida, que a vida era parecida com moedas! Era o óbvio mostrando a cara ou sua coroa.
   - E o que ela disse?
   - Como em um confessionário, a ética não permite indiscrições, mas só para o histórico, foi mencionado que ela constantemente entra na roda de seus personagens, a quem dá as mãos no girar do ritmo. Eureca! Personagens de livros, embora sem carne, osso e alma, também fazem parte da vida, graças a Deus; são linhas que cortam nó górdio, encantando, e compensando carências.
     Por hoje, seu tempo terminou. Veremos em que dará o desenrolar deste coração. Esperemos que, ao ter alta, você se conscientize de que as músicas arrebatadoras e os personagens que a encantam são o fermento de seu mundo. Mundo este que se revela um banquete, onde cogumelos venenosos e alimentos indigestos devem ser evitados. Quod erat demonstrandum é que se o inferno são os outros, o céu também são os demais.                                                                                                                 
      A vida nesse ponto já adquiriu novo sabor para ambos, "médico e paciente". No entanto, ele terá que refletir sobre o que ela declarou: apaixonada por si própria ela não se machuca. Autoestima levada ao extremo? O melhor é de fato dar por encerrada a consulta, como acima foi decretado. Não é emocionante saber que amanhã teremos ou escreveremos outro capítulo, no qual seremos leitores e personagens, a um só tempo? E como é bom virar a página! Desperdiçar a vida... Eu, hein? Aproveito até um pedaço de pão ou água pra chuchu, vou lá jogar fora uma vida?!   
     - Que diabo significa isso de água pra chuchu, se ele não se cozinha com água , pois ficariaaguado e sem graça? Tem que ser só refogado.    
     - É que adoro usar expressões da era dos Beatles. Você não sabe que chuchu se propaga com a maior facilidade? Daí a metáfora da abundancia, capisci?
     Interrompidas as sessões de "análise",  não conseguindo largar "Ciranda de pedra" de Lygia Fagundes Telles, ele foi comigo à padaria, Alguém disse que a gente não morre, enquanto não acaba de ler o que se está lendo. Sendo assim, não morrerei nunca, pois eles se sucedem e, de encantamento em encantamento, me viciei. span style="font-family: "calibri" , sans-serif; font-size: 18.6667px; line-height: 19.9733px;">     "

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